segunda-feira

Grande politico...

Até que enfim!!!... que aparece alguém que não tem papas na língua e diz a verdade!

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sexta-feira

Extinção de freguesias põe em causa a coesão nacional?



Tudo começou no momento em que Portugal assinou o chamado “Memorando de Entendimento” com a União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. O compromisso com a “Troika”, em troca de ajuda financeira quando o País escorregava de forma imparável para a bancarrota, impôs ao Governo, entre outras medidas, a Reforma Administrativa do Poder Local (RAPL), que, alegadamente, deverá estar concluída até ao próximo acto eleitoral autárquico, em 2013.
Inicialmente, os contornos da proposta da RAPL apontavam para a extinção/fusão/agregação de municípios e freguesias. Porém, ao fim de vários meses de estudos, (algumas) negociações e muita polémica, o Executivo “deixou cair” a questão dos municípios e apresentou na Assembleia da República a Proposta de Lei 44/XII que, dizem, não é mais do que uma “leizinha de extinção de freguesias”. O documento, por agora, encontra-se na Comissão do Poder Local para aprovação na especialidade.
Nada será como dantes. Venha a ser o que for, facto é que o mapa geográfico do País deixará de ter a configuração que hoje conhecemos. A generalidade dos estudos levados a cabo aponta para a redução de aproximadamente 1.400 das 4.260 freguesias existentes em Portugal (4.050 no Continente, 156 na Região Autónoma dos Açores e 54 na Região Autónoma da Madeira), seja através de fusão, agregação ou extinção pura e simples.
Do ponto de vista governamental, trata-se de uma Reforma “indispensável e inadiável” com vista à modernização do território nacional, à simplificação, promoção de qualidade nos serviços públicos e desenvolvimento de uma relação de maior proximidade com os cidadãos.
Para os autarcas, a leitura é outra. Em nome de uma “política meramente economicista” pretende-se “retalhar” o País, transformando as actuais freguesias em meros “lugares” nas novas freguesias, enterrando, de um momento para o outro, identidades seculares, como sublinha a ANAFRE — Associação Nacional de Freguesias.
Por seu turno, a Plataforma Contra a Extinção de Freguesias considera que a medida preconizada pelo Governo viola a Carta Europeia da Autonomia Local. “Um dos pontos da CAL, ratificada por Portugal em 1990, refere que nenhuma freguesia pode ser extinta ou agregada parcial ou totalmente a outra sem que sejam ouvidas as populações”, refere o movimento, que encontrou um aliado em António José Seguro, líder do PS.
Segundo o socialista, a Proposta de Lei não só “viola o princípio de autonomia das autarquias”, como também piora a qualidade de vida das populações, sobretudo nas zonas rurais. "Isto só pode vir de um Governo que não tem sensibilidade social e não conhece o País. As freguesias do interior e com pouca população são aquelas que mais precisam das freguesias, muitas em vias de desertificação, que viram partir serviços públicos, os CTT, GNR e extensões de saúde", defende o secretário-geral do PS, frisando que “não faz sentido que o Estado abandone essas pessoas, na sua esmagadora maioria idosas”.
Foi uma das maiores conquistas do Portugal democrático. O Poder Local mudou, de forma muito significativa, a vida dos municípios, freguesias e, consequentemente, dos cidadãos, contribuindo de maneira decisiva para o desenvolvimento das regiões e um melhor bem-estar das populações, através da criação de infra-estruturas até então inexistentes. Porém, o “estado de graça” em que viveu durante anos a fio tem vindo a ser substituído pela contestação e muita suspeição. O Poder Local tornou-se, de há alguns anos a esta parte, alvo privilegiado quando se fala em “gestão danosa dos dinheiros públicos” e em “corrupção” na Administração Pública.
Autarcas há 15, 20 ou 30 anos no poder, com o consequente desgaste de ideias e de fôlego, que há muito deixaram de constituir uma mais-valia para municípios e freguesias, transformando-se em verdadeiros “caciques” locais; notícias do envolvimento de alguns deles em actos pouco dignificantes para quem tem por missão principal gerir e cuidar do “bem público”; criação de empresas municipais que são um sorvedouro de dinheiro e máquinas de fazer dívidas, sendo que mais de metade das existentes encontram-se, desde há muito, em falência, e que serviram, essencialmente, para acolher “boys” e “girls” amigos, ou do partido, a quem foram oferecidos salários chorudos em troca de nada; construção de obras faraónicas e magalómanas, como pavilhões multiusos e piscinas de duvidoso interesse para as populações locais, apenas porque o concelho ou a freguesia vizinhas já possuíam esses equipamentos. Tudo isto contribuiu, em muitos casos, para a descredibilização do Poder Local, que vive hoje tempos de dificuldades inauditas, com muitos municípios à beira da bancarrota e autarcas a contas com a Justiça
Com um mandato conferido pelo povo que os elegeu, muitos autarcas entendiam que tudo podiam fazer e que estavam acima de quaisquer críticas. Não ouviam a voz dos munícipes, daqueles que neles confiaram através do seu voto. Funcionavam em verdadeira “roda livre”, com actos de gestão duvidosos, relações promíscuas e nomeações ao arrepio do que estabelece a lei. São inúmeros os casos de autarcas que transformaram as “suas” autarquias em quase “empresas familiares”. Situações que, nalguns casos, roçaram o absurdo, como o de um presidente de Câmara que nomeou uma senhora para sua funcionária, com quem veio a casar, dando, posteriormente, emprego à família da sua Mulher.
Mas, também, seria pouco razoável não elogiar o muito bom trabalho realizado tanto por presidentes de câmaras como presidentes de juntas de freguesia. Um trabalho nem sempre fácil, muitas vezes árduo, penoso e incompreendido por munícipes e fregueses, e que foram contributo determinante para o progresso social e económico da autarquia que representam, independentemente de lá terem, ou não, nascido.
Voltando ao tema central da crónica. A extinguirem-se freguesias, penso que isso deveria fazer-se nas grandes cidades. Nos grandes centros urbanos. O seu desaparecimento não traria dificuldades de maior à à vida das populações. O mesmo já não se pode dizer quando falamos da extinção eventual de freguesias nas inúmeras aldeias por esse País fora.
Com efeito, especialmente no interior e nos meios rurais, a extinção de freguesias significa o fim de juntas de freguesia que assumem um papel fulcral na vida das pessoas, funcionando como pólos aglutinadores e dinamizadores da população, um serviço de proximidade que, nalguns casos, chega a ser o único existente. E a extinção destas é, basicamente, a extinção dos respectivos lugares.
Acresce, ainda, que extinguir freguesias não será muito relevante em termos de redução da despesa (o trabalho é mais voluntário que outra coisa), e será promover a desertificação, o abandono completo de muitas aldeias pelo país fora que, talvez por ainda terem uma certa voz autárquica, ainda alguma, ainda que pouca, têm população.
Tem de haver equilíbrio. Neste momento, as autarquias do Interior têm que gerir grandes áreas com pouco dinheiro. Gastam mais em manutenção de estradas, água e saneamento, infra-estruturas e iluminação pública, por exemplo, e têm muito menos dinheiro!
Penso que no nosso distrito há um certo desequilíbrio nas juntas de freguesia. Vejamos: temos cerca de 16 freguesias com menos de 140 pessoas e outras com 32 e 56 pessoas. No nosso concelho, a freguesia de Forles com 93 pessoas bem que pode fundir-se à vizinha Águas Boas. Parece-me uma fusão sensata e que se enquadra no que a lei prevê: nenhuma freguesia poderá ter menos de 150 habitantes.
Uma questão final. Com o novo enquadramento, penso que o interior irá ganhar mais, já que a participação do Fundo de Financiamento das Freguesias (FFF) da freguesia criada por agregação é aumentada em 15%, até ao final do mandato seguinte. Por isso estou convicto de que seremos mais beneficiados.

Vasco Rodrigues in gazeta de Sátão maio 2012

Toda a gente deve fazer o possível por ter uma avó…LINDO!!!!

DIVINAL!!!

quinta-feira

Mas que falta de sentido de estado!.. a idade tem destas coisas

O que o antigo Presidente da República, Mário Soares, vem dizer, numa entrevista ao i, conduzida por Ana Sá Lopes, em alto e bom som, ao país, é uma das maiores irresponsabilidades políticas que por cá se assistiu no último ano, e em convivência com o programa de ajuda financeira a Portugal. O fundador do PS - irónico que assim seja, nestes tempos de surdez e cegueira políticas - diz então que o PS deve romper com o acordo com a Troika, e tudo porque considera que a situação do país «evoluiu» e que a austeridade «não funciona». O homem que enquanto Primeiro-Ministro teve de recorrer ao FMI por duas vezes tem caído numa malha perigosa. A democracia tem de saber reconhecer os seus falhanços, os seus erros e conviver com tudo o que isso acarreta. As atitudes que Mário Soares tem tomado, recentemente nas comemorações do 25 de Abril, com tomadas de posições ameaçadoras, como que a tentar desestabilizar o sistema político - que precisa tudo neste momento menos disso - não são nada favoráveis para um homem a quem Portugal muito deve no caminho para a democracia. E acima de tudo não são nada boas para o país. Alguém lembre Soares que o PS assinou o Memorando, está comprometido com ele. E isso é fundamental para que, mesmo com todos os sacrifícios que estão a ser feitos pelos portugueses, consigamos ter sucesso. O que nos distingue da Grécia é somente isso, os partidos do sistema terem dado a mão no momento do resgate. É bom que alguém pare Soares, antes que ele fique completamente enlouquecido. E isso é um cenário que, nós por cá, nos recusamos a ver. 
Enfim, o jornalismo anda doente, dar voz a isto....

segunda-feira

Cobras e lagartos


A expressão que titula a minha crónica de hoje é um dito popular utilizado quando, basicamente, “alguém diz mal de alguém”. O que, reconheça-se, em alguns meios sociais é uma espécie de “modalidade” muito apreciada e praticada.

Outros ditados existem que funcionam como “alertas”. Isto é, procuram chamar a nossa atenção para supostas realidades que não passam, afinal, de pura e refinada ficção.

Dizem que “todo o cuidado é pouco”; que “o seguro morreu de velho, mas o desconfiado ainda vive”; que “há que dormir com um olho aberto e o outro fechado”; que há que “colocar um pé atrás e o outro à frente”; e, ainda, um que aponta para “fazer o bem, mas olhar a quem”. Tudo expressões, repito, que nos sugerem precaução e contenção no ser, estar e dizer. Que podem ser sintetizadas na bem portuguesa “sentença” que diz que “cuidados e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.

As origens desses ditos populares, ou aforismos, remontam a muitos séculos atrás e, a autoria, na maioria dos casos, é desconhecida. “Coisas dos antigos”, recordam-nos os mais velhos. Que, no entanto, resistiram à voracidade dos tempos e, hoje, são amiudadas vezes aplicados nos mais diversos contextos no relacionamento interpessoal.

Passaram de geração em geração. Um “legado” aceite com naturalidade, não questionado e respeitado. Porque, ontem como hoje, porventura agora com mais propriedade e acuidade, faz todo o sentido a aplicação dos ditados “nada é o que parece” ou “quem vê caras não vê corações”.

Seriam desconfiados os nossos antepassados? Eventualmente, seriam. E com razão. A história que mais à frente vou contar dá solidez a essa razão dos nossos avós e remete-nos para dois outros ditos de raízes populares: “um olho no burro e outro no cigano” e, também, “um olho no padre e outro na missa”.

O avô estava longe de ser perfeito. Humano, tinha defeitos. Mas, fruto da experiência da vida, não era ingénuo. Porém, e apesar de “nas costas dos outros ver as suas”, entendia, mal, que todos eram pessoas de bem como ele, esquecendo-se da “sentença” acima referida: “cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.

Vivia com a minha avó e, como era seu costume dizer, “não havia mulher melhor do que ela”. Recorria a um trocadilho para ilustrar a sua admiração por ela: “era ela no céu e Deus na terra”. A união entre ambos, mais sólida que as Muralhas da China, passe a imagem de retórica, durou até ao momento em que Deus os chamou à Sua presença.

Relações, dir-se-á, “à moda antiga”. Duradouras. Consubstanciadas, sobretudo, no respeito e confiança mútuos. “Para o que desse e viesse” e “para o bem e para o mal”. Dando cumprimento e forte significado ao preceito religioso do sacramento do matrimónio: “o homem não separará o que Deus uniu”.

Hoje, porém, a realidade é outra. Bem diferente. Como comprova o caso real vivido por um casal (*) meu amigo. Cuja adoração era recíproca.

Nanda considerava como absolutamente natural sair à noite com o marido e fazerem-se acompanhar por uma sua amiga de infância, sua confidente ao longo da vida, mesmo depois do casamento. Que mal haveria nisso? — perguntava-se.

O casal residia na casa da avó do Luís. Uma boa vivenda, com algum luxo. Já entradota nos anos, carregada de experiência e tendo já vivenciado dois casamentos, muitas vezes sussurrava ao ouvido da neta, que adorava, ao mesmo tempo que abanava a cabeça: “fia-te na Virgem e não corras e verás o tombo que levas”. Um “aviso”, um conselho prático sob a forma de adágio popular.
Certa noite, Nanda espera e desespera pela chegada do Luís a casa. Os contactos, sucessivos, para o telemóvel do marido, acabavam na caixa de mensagens. A preocupação era evidente. O pânico quase se instalara. O passo seguinte seria telefonar para todos os locais possíveis. Mas eis que chega uma chamada telefónica do Luís.
 — Meu amor, onde estás, o que aconteceu?, pergunta ela com evidente nervosismo.
Mas não é o Luís quem responde. É a Nela, com a mesma voz baixa e lenta de sempre.
— Nanda, minha amiga, o Luís está a morar comigo. Estamos apaixonados e nem penses em vir ter com ele. Agora a conversa é outra e, deixa-me dizer uma coisa: essa casa da avó do Luis é grande demais só para ela, vamos morar para aí, podes ir procurar outra local para residires. Lamento muito, mas quem “vai ao ar perde o lugar”.
E desligou.
Secamente, Nanda não conseguiu sequer mexer-se. Ficou petrificada, paralisada, teve medo de morrer ali mesmo, sozinha. Na sua cabeça, ficou um vazio profundo. Viu e reviu mentalmente as imagens de quando saíam os três juntos, os momentos que passaram em cumplicidade, procurando um sinal qualquer que pudesse evidenciar uma qualquer suspeita.

Nada. Nem um. O marido e a amiga mal se falavam ou olhavam. Era sempre a Nanda quem animava as conversas, em qualquer saída para jantar ou ir a um bar. À noite. E recorda as inúmeras vezes que o Luís criticava a Nela, “sempre com a sua voz enjoada”.

Afinal, constatava agora, da pior forma, de maneira cruel até, como tudo não passava de pura e aprimorada ficção. A realidade era, completamente diferente. Que esteve sempre à frente dos seus olhos. Mas que nunca a viu.

Nunca mais vi a Nanda. O Luís e a Nela continuam juntos e, de vez em quando, vão passando pelo “Bar Metro e Meio”.

Todas as histórias, ficcionadas ou reais, como esta, têm sempre uma lição para extrair. A vida é breve, a arte é longa, a ocasião fugidia, a experiência enganosa, o julgamento difícil.
Moral desta história: “Pior que cego é aquele que não quer ver”:

(*) Os nomes aqui referidos são, obviamente, fictícios

Vasco Rodrigues in Gazeta de sátão  4/ 2012