quinta-feira

quarta-feira

Este país não é para corruptos

Em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer
   

... Que Portugal é um país livre de corrupção sabe toda a gente que tenha lido a notícia da absolvição de Domingos Névoa. O tribunal deu como provado que o arguido tinha oferecido 200 mil euros para que um titular de cargo político lhe fizesse um favor, mas absolveu-o por considerar que o político não tinha os poderes necessários para responder ao pedido. Ou seja, foi oferecido um suborno, mas a um destinatário inadequado. E, para o tribunal,  quem tenta corromper a pessoa errada não é corrupto - é só parvo. A sentença, infelizmente, não esclarece se o raciocínio é válido para outros crimes: se, por exemplo, quem tenta assassinar a pessoa errada não é assassino, mas apenas incompetente; ou se quem tenta assaltar o banco errado não é ladrão, mas sim distraído. Neste último caso a prática de irregularidades é extraordinariamente difícil, uma vez que mesmo quem assalta o banco certo só é ladrão se não for administrador.
O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno. O que se passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas bem feitas e seguir a tramitação apropriada. Não é acto que se pratique à balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se apresente."
 



Ricardo Araújo Pereira no seu melhor

terça-feira

O grande culpado......

A culpa é toda de D. Afonso Henriques. E da senhora sua mãe, pois claro!

Há verdades que todos nós temos de entender. De uma vez por todas. Não há volta a dar. Estamos falidos. E sabemos que a mesma classe que hoje nos delapida – porque tenta governar-nos com o dinheiro dos outros – é a mesma que nos fez bater no fundo.  E é preciso dizer que a Classe Média Portuguesa está, por estas horas, ou a pensar em formas dignas de suicídio ou, quem sabe, a preparar-se para levantar as economias (se é que existem) dos bancos para zarparem daqui. Porque temo que a brandura de ser português – como se tem visto – permaneça adormecida por mais tempo. Mas tem de haver coerência. Porque é possível lutar e contestar com a mesma sensatez de quem sabe que é agora ou nunca. 
Gostava apenas é que a tal Justiça Social que Direita e Esquerda tanto apregoam estivesse hoje presente nesta comunicação de coveiro ao País. É que a bem dessa tal Justiça Social, as medidas  anunciadas deviam ser para todos os Portugueses e não apenas para alguns. 
A culpa é do D. Afonso Henriques, que não devia ter batido na senhora dona sua mãe.

Vinhos com história


Certa noite, à anos atrás, um homem entrou com a namorada no restaurante Lucas Carton, em Paris, e pediu uma garrafa de "Mouton  Rothschild", colheita de  1928.
  O escansão, em vez de trazer a garrafa para mostrar ao cliente, traz o decanter de cristal cheio de vinho e, depois de uma mesura, serve um pouco no cálice para o cliente provar.
 O cliente, lentamente, leva o cálice ao nariz para sentir o aroma, fecha os olhos e cheira o vinho.
  Inesperadamente, franze a testa e, com expressão muito irritada, pousa o copo na mesa, comentando rispidamente:
  - Isto aqui não é um Mouton de 1928!
  O escansão, assegura-lhe que é. O cliente insiste que não é.
 Estabelece-se uma discussão e, rapidamente, cerca de 20 pessoas rodeiam a mesa, incluindo o chef de couisine e o gerente do hotel, que tentam convencer o intransigente consumidor de que o vinho é mesmo um  Mouton de 1928.
De repente, alguém resolve perguntar-lhe como sabe, com tanta certeza, que aquele vinho não é um Mouton de 1928.
  - O meu nome é Phillippe de Rothschild, diz o cliente modestamente,  e fui eu que fiz esse vinho.
 Consternação geral.
 O escansão então, de cabeça baixa, dá um passo à frente, tosse, pigarreia, bagas de suor escorrem da testa e, por fim, admite que  serviu na garrafa de decantação um Clerc Milon de 1928, mas explica seus motivos:
  - Desculpe, mas não consegui suportar a idéia de servir a nossa última garrafa de Mouton 1928. De qualquer forma, a diferença é irrelevante.
 Afinal, o senhor também é proprietário dos vinhedos de Clerc Milon, que ficam na mesma aldeia do Mouton. O solo é o mesmo, a vindima é feita na mesma época, a poda é a mesma e o esmagamento das uvas se faz  na mesma ocasião, o mosto resultante vai para barris absolutamente idênticos. Ambos os vinhos são engarrafados ao mesmo tempo. Pode-se afirmar que os vinhos são iguais, apenas com uma pequeníssima  diferença geográfica.
 Rothschild, então, com a discrição que sempre foi a sua marca, puxa o escansão pelo braço e murmura-lhe ao ouvido:
  - Quando voltar para casa esta noite peça à sua namorada para se despir completamente. Escolha dois orifícios do corpo dela muito próximos um do outro e faça um teste de olfato. Você perceberá a subtil diferença que pode haver numa pequeníssima distância geográfica.