quinta-feira

Somos um país de reformados

Ao menos num capítulo ninguém nos bate, seja na Europa, nas Américas ou na Oceânia: nas políticas sociais de integração e valorização dos reformados.

Aí estamos na vanguarda, mas muito na vanguarda. De acordo, aliás, com estes novos tempos, em que a esperança de vida é maior e, portanto, não devem ser postas na prateleira pessoas ainda com tanto a dar à sociedade.
Nos últimos tempos, quase não passa dia sem que haja notícias animadoras a este respeito. E nós que não sabíamos!

Ora vejamos:
  • o nosso Presidente da República é um reformado;
  • o nosso mais "mortinho por ser" candidato a Presidente da República é um reformado;
  • o nosso ministro das Finanças é um reformado;
  • o nosso anterior ministro das Finanças já era um reformado;
  • o ministro das Obras Públicas é um reformado;
  • gestores activíssimos como Mira Amaral (lembram-se?) são reformados;
  • o novo presidente da Galp, Murteira Nabo, é um reformado;
  • entre os autarcas, centenas, se não milhares, de reformados - garantiu-o o presidente da ANMP;
  • o presidente do Governo Regional da Madeira é um reformado;
E assim por diante...

Digam lá qual é o país da Europa que dá tanto e tão bom emprego a reformados?

Que valoriza os seus quadros independentemente de já estarem a ganhar uma pensãozita? Que combate a exclusão e valoriza a experiência dos mais (ou menos...) velhos?

Ao menos neste domínio, ninguém faz melhor que nós! Ainda hão-de vir todos copiar este nosso tão generoso exemplo de "Estado social".

Só para os mais saudosistas

Esta música faz lembrar os tempos em que uma pessoa era apaixonada por outra e não era correspondido.

"Torneró" (Voltarei), foi de facto o seu maior êxito e extravasou a Itália para se tornar popular em todo o mundo com um registo superior a 10 milhões de cópias vendidas.
Os “I Santo Califórnia”  participaram em 1977 no clássico festival musical "San Remo" com o tema "Mónica" que se classificou em 3º lugar.
Com o tempo o grupo foi perdendo notoriedade mas em função de "Torneró" fará sempre parte das boas recordações dos temas românticos italianos dos anos 70. Continua assim a ser escutado com agrado, principalmente naqueles momentos mais melancólicos. Para além da música, a letra também se “põe a jeito”.
Tornerò  
Rivedo ancora il treno
allontanarsi e tu
asciughi quella lacrima
Tornerò
Com'è possibile
un anno senza te.
Adesso scrivi aspettami
il tempo passerà
un anno non è un secolo
Tornerò
Com'è difficile
restare senza te.
Sei
sei la vita mia
quanta nostalgia
senza te
Tornerò, tornerò.
Da quando sei partito è, cominciato per me la solitudine
intorno a me c'è il ricordo dei giorni belli del nostro amore
la rosa che mi hai lasciato si è ormai seccata
ed io la tengo in un libro che non finisco mai di leggere.
Ricominciare insieme
ti voglio tanto bene
il tempo vola aspettami
Tornerò
pensami sempre sai
e il tempo passerà.
Sei
sei la vita mia (amore mio)
quanta nostalgia (un anno non è un secolo)
senza te
Tornerò
Tornerò
pensami sempre sai
tornerò
tornerò

sexta-feira

Maldita crise

É mais um sintoma da crise que vivemos. Em 2010 fecharam 1500 estabelecimentos de restauração. O Algarve e zonas fronteiriças do interior são onde se regista o maior número de encerramentos. O tecido empresarial português diminuiu todos os dias. O desemprego aumenta. O país empobrece.Isto é que me dói.

O abandono nas Universidades

Em Coimbra é visível nas capas dos jornais locais a debandada de muitos jovens que tiveram de abandonar a Faculdade devido aos cortes nas bolsas sociais. O «Diário das Beiras» anunciava hoje na sua primeira página que já ia em 500 o número de estudantes a abandonar os estudos superiores só em Coimbra. No mesmo dia, a JSD lançou um site em que pretende recolher testemunhos de estudantes universitários que tenham decidido deixar de estudar devido a razões económicas, para provar «a falta de verdade» do Governo nesta matéria. Ora aí está uma boa iniciativa.

Apertar o cinto não é para todos

A primeira página do Correio da Manhã  revela bem quanto os cortes são para cumprir mas...no seio do povo. Para certas e determinadas classes profissionais, no caso ex-deputados, pelos vistos a austeridade não é para todos. Assim vai o reino e o burgo à beira-mar plantado.

Simplesmente espetacular

Tudo o que aqui relato é verdade. Se quiserem, podem processar-me. ( Clara Ferreira Alves, Expresso )
 

UM ARTIGO DE CLARA FERREIRA ALVES CUJA LEITURA RECOMENDO SOBRE O RECENTE HOMENAGEADO "AO VIVO" EM MARCO DE CANAVEZES .
É RECOMENDÁVEL QUE TODOS CONTINUEMOS AINDA LÚCIDOS...!!!!!

 Nada disto é novidade, mas é bom que alguém não deixe cair isto no esquecimento!
                      
  Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que
ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana,
para a voz da rua.

A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante uma longa carreira
politica. A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom
par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo de Paris.

A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma "brilhante" que se viu o
processo de descolonização.

A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos
financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.

A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua
experiència governativa.

A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como
Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.

A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os "dossiers"..

A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois
de tão fantástico desempenho no cargo.

A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha
Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e
vencer as eleições presidenciais.

A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um
grupo empresarial, a Emaudio, com "testas de ferro" no comando e um
conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas
internacionais.

A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua
segunda campanha presidencial.

A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos
Melancia, um dos homens da Emaudio.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume ao caso Emaudio e ao caso
Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma
Fundação na sua fase pós-presidencial.

A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, "Contos
Proibidos"
, que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse
mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume as "ligações perigosas" com
Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre
acidente de avião na Jamba (avião esse transportando de diamantes, no
dizer do então Ministro da Comunicação Social de Angola).

A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar
57 países ("record" absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França -
21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil
quilómetros).

A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de
grande importância estratégica para Portugal, aproveitando para dar uma voltinha de tartaruga.

A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a
Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes
oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.

A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte
blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da
Republica.

A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de
vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo
Grande.

A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica,
constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado,
que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única
função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os
mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.

A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação
violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a
nulidade da licença de obras.

A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas
construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal
fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer
convenientemente num incêndio dos Paços do Concelho.

A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos
anos, donativos e subsídios superiores a um milhão de contos.

A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de
quinhentos mil contos, do Governo Guterres, para a criação de um
auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara
de Lisboa.

A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção
anual
da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador
e Presidente.

A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasseum gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República,
na... Fundação Mário Soares.

A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares
receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.

A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade
da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente
era... João Soares.

A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o
director do "Público", José Manuel Fernandes, a investigação
jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.

A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento
Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole
Fontaine.

A lucidez que lhe permitiu considerar Jose Sócrates "o pior do
guterrismo"
e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.

A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre,
para concorrer às eleições presidenciais mais uma vez.
A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.

A lucidez que lhe permitiu ler os artigos "O Polvo" de Joaquim Vieira
na "Grande Reportagem", baseados no livro de Rui Mateus, e assistir,
logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no
filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.

No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um
punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai.
Vai.... e não volta mais.

Clara Ferreira Alves

Expresso